vida

sobre talentos ocultos.

quando criança, eu gostava de escrever e desenhar. por isso, do alto dos meus 10 anos, criei minha própria história em quadrinhos (nada mais lógico, não é?). eu não queria ler textos prontos (até porque já tinha devorado todos da turma da mônica que tinham em casa). sentia vontade de ver algo do meu jeito. e assim nasceu “a turma da rua de trás” (claro mix de influências de luluzinha a backstreet boys). por mais ou menos um ano, fui feliz assim.

costumava passar férias em contagem (região metropolitana de bh) na casa de uma tia. seu filho era um talentoso ilustrador. desses que nascem com um dom muito claro. minha diversão nas férias era olhar os desenhos dele e fazer os meus (no melhor estilo “inspired”). ele observava uma flor e fazia o desenho em perspectiva. isso, eu não sabia. então, eu observava o desenho dele e fazia igual. isso, eu sabia. por mais ou menos dois verões, fui feliz assim.

nessas, eu criava histórias fantásticas na minha cabeça e escrevia num caderninho (que na época se chamava diário, mas que hoje seria um blog mesmo). as histórias poderiam ser definidas como crônicas, mas naquele tempo eu achava que era invencionices. porque eu não queria escrever sobre o meu dia, mas sobre coisas mais interessantes.

mais velha, na época do vestibular, entrei em crise por me considerar um pessoa desprovida de talentos. olhava para o lado e via meu irmão, gênio da computação, brilhar. olhava para o outro e via meu primo, o ilustrador de nascimento, criar coisas incríveis. olhava pra mim e não via nada. talvez os óculos tenham feito mais falta na alma do que nos olhos.

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eu nunca tinha percebido. mas anos depois ficou claro. o meu talento estava na minha cara e eu não via: a expressão. fosse por palavras, fosse por desenhos, fosse como fosse. quando não faço, sinto falta.

tem gente que acha que eu falo demais. mas considero que falo o que preciso. e às vezes preciso me expressar. desculpa, mais forte do que eu. demorei pra entender (dizem que a gente ganha sabedoria com o tempo, não é?), mas não existe pessoa sem talento. às vezes, ele só está oculto. ou a gente não está com os olhos (e o coração) abertos o bastante.

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